segunda-feira, 27 de junho de 2011

Hangar do Zeppelin

O chamado Hangar do Zeppelin localiza-se no bairro de Santa Cruz na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.


Nas dependências da Base Aérea de Santa Cruz, da Força Aérea Brasileira, trata-se de um hangar, edificação de grandes dimensões destinada a abrigar os dirigíveis alemães conhecidos como zeppelin.

                     Hangar do Zeppelin (Base Aérea de Santa Cruz), Rio de Janeiro, Brasil.
A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a Alemanha e a América do Sul foi registrada em maio de 1930, tendo o LZ 127 Graf Zeppelin decolado de Friedrichshafen no dia 18 e chegado ao aeroporto de dirigíveis nas cercanias da cidade do Recife, em Pernambuco, a 21 do mesmo mês. Prosseguindo a viagem, pousou no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro no dia 25, causando alvoroço na então Capital Federal.



Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os zeppelins realizaram três viagens ao Brasil em 1931 e mais nove em 1932.

Devido a esse sucesso, a empresa [1] obteve autorização do Governo brasileiro para construir um aeroporto, com instalações adequadas para a ancoragem e proteção das suas aeronaves. Desse modo, em 1933, os técnicos alemães da empresa vieram ao país para escolher uma área apropriada para o pouso e abrigo das aeronaves. Após meticulosos estudos climáticos, de direção e velocidade dos ventos, e também das possibilidades de meios de transporte, foi escolhida uma área próxima à baía de Sepetiba, no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro[2].


No ano seguinte (1934), o hangar, concebido por engenheiros alemães, começou a ser construído pela Construtora Nacional Condor empresa brasileira que seguiu as instruções estritas de montagem do enorme conjunto pré-fabricado recebido da Alemanha. Um acordo entre o governo brasileiro e a empresa alemã previa a construção e operação do aeródromo no local, que mais tarde foi denominado de Bartolomeu de Gusmão.

Finalmente, em 26 de dezembro de 1936, o imenso hangar foi inaugurado, com a ativação de uma linha regular de transportes aéreos que ligava Frankfurt ao Rio de Janeiro (com escala em Recife), na presença do então presidente Getúlio Vargas.

Logo que começaram a chegar os primeiros dirigíveis, eram necessários duzentos homens, que ficavam na pista para ajudar a atracá-los, segurando os seus cabos, trabalhadores apelidados de aranhas.


O uso do hangar foi de pouca duração uma vez que, em 1937, o último zeppelin decolava do aeródromo após nove viagens ligando o Brasil à Europa. Dentre essas viagens, quatro foram realizadas pelo Hindenburg e cinco pelo Graf Zeppelin.

Com a tragédia do Hindenburg (1937) e a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939), o antigo Aeroporto Bartolomeu de Gusmão foi transformado na Base Aérea de Santa Cruz (1941), e o hangar passou a abrigar as diversas unidades aéreas militares que ali se instalaram ao longo dos anos.

Atualmente, este é um dos últimos hangares para dirigíveis existentes no mundo. Ainda sobreviveram entre outros, o que servia nos Estados Unidos, o Hangar Number One, em Lakehurst (Naval Air Station Lakehurst), e que se transformou em monumento nacional[3]. Em Akron, estado de Ohio, existe ainda o Akron Airdock da Goodyear[4]. Na Inglaterra, também estão preservados, em Cardington, os hangares que se destinavam aos dirigíveis R-100 e R-101[5]. Na Alemanha, em 1940, o hangar de Frankfurt foi demolido por ordem de Hermann Göring, após o desmantelamento do LZ-127 e do LZ-130, e os hangares de Friedrichshaffen, foram pesadamente bombardeados na Segunda Guerra e não foram reparados. Na Itália, encontra-se em mau estado o pouco conhecido "Hangar de Dirigíveis de Augusta" [6], na Sicília, construído após 1917.

Na cidade do Recife, no estado de Pernambuco, sobreviveu a chamada Torre do Zeppelin, o antigo mastro de atracação para dirigíveis, considerado o último exemplar original no mundo deste equipamento. É um bem histórico cultural, tombado em 1983 pelo governo daquele estado.

O edifício do hangar da Base Aérea de Santa Cruz, encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), desde 1998, recebendo a inscrição de tombamento no 550[7]. É um dos últimos exemplares e um dos mais bem conservados no mundo hoje.[8]

 Características

O dirigível Hindenburg sobre a cidade do Rio de Janeiro.O hangar, construído para acomodar as gigantescas aeronaves, tem grandes dimensões: 274 metros de comprimento, 58 metros de altura e 58 metros de largura. Orientado no sentido Norte/Sul, o seu portão Norte, com 28 metros de largura e 26 metros de altura servia apenas para ventilação e saída da torre de atracação, sendo aberto manualmente. O portão Sul, o principal, abria-se em toda a altura do hangar e possuía duas folhas de 80 toneladas de peso cada uma. Estas portas eram abertas graças a potentes motores elétricos ou alternativamente, de forma manual. As instalações elétricas eram revestidas por uma blindagem para evitar o surgimento de qualquer fagulha, que poderia causar um incêndio catastrófico nos dirigíveis. No topo do hangar, a 61 metros de altura, existe uma torre de comando, de onde se pode avistar toda a área circundante, desde Sepetiba até ao rio Guandu.


1.↑ http://en.wikipedia.org/wiki/Luftschiffbau_Zeppelin Luftschiffbau-Zeppelin GmbH

2.↑ O hangar do zeppelin. quarteirão (25 de setembro, 2006).
3.↑ http://www.nlhs.com/
4.↑ http://www.goodyearblimp.com/history/wingfoot.html
5.↑ http://www.aht.ndirect.co.uk/sheds/index.html
6.↑ http://www.hangar.insw.net/
7.↑ Livro do Tombo Histórico - Inscrição:550. IPHAN (22 de novembro, 2008).
8.↑ Histórico. BASC (25 de setembro, 2006).

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