segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Dois pesos, duas medidas.

Há alguns meses um SARGENTO do Exército – Vinicius FELICIANO –  protestou contra DILMA ROUSSEFF. Feliciano disse que a presidente agora TORTURA os militares, uma espécie de revanche pelo que teria sofrido nos anos 70. Ele também reclamou do valor do salário família, que é de 16 centavos.

Há alguns meses o GENERAL MOURÃO protestou contra DILMA ROUSSEF, ele disse que retirar DILMA seria o “descarte da incompetência”, ele também disse que com sua saída acabaria a “má gestão e corrupção”.

O sargento acabou atrás das grades, preso em uma cela com grades enferrujadas e com a ficha suja por brigar pelos seus pares. O general, por sua vez, ainda que tenha sido alvo de comentários e críticas, assumiu um cargo de confiança. Hoje é o novo Secretario de Finanças do Exército Brasileiro. No Ministério da Defesa seu salário será acrescido de algumas gratificações inerentes ao cargo.
Um renomado jurista, em texto odiado pelos generais, disse: “… não há como entender, ou justificar, que generais possam ter direito a manifestações políticas e que o mesmo direito seja negado aos suboficiais, de modo a que sejam presos aqueles que pretenderam seguir os exemplos de seus superiores hierárquicos (…). Se a tropa se convence de que, no plano político, os superiores gozam de um direito que é recusado aos sargentos, a conseqüência será… a formação de um sentimento de animosidade, de um conflito que, por não se manifestar de imediato, não será menos perigoso, como uma força latente de desagregação (…)”.
Barbosa Lima Sobrinho não poderia ser mais atual. Muitos militares se sentem amordaçados em pleno século XXI.
O fato de oficiais generais escolhidos a dedo pelo chefe do executivo serem os únicos com direito de discutir a questão salarial, somado ao fato dos mesmos receberem gratificações polpudas justamente pelo fato de ocuparem tais funções de confiança pode ser SIM gerador de um sentimento de ANIMOSIDADE perigoso, é evidente que a situação é uma força latente de DESAGREGAÇÃO.
Nos últimos anos os militares têm se percebido como a categoria do serviço público mais prejudicada na questão salarial.
Militares não possuem ferramentas para pressionar o governo. Militares não têm direito a greve (nem querem ter), não têm sindicatos (nem querem ter) e possuem como únicos representantes seus comandantes, que são homens de confiança escolhidos pelo próprio Chefe do Executivo. Portando, sua única ferramenta é a própria voz, que no contexto atual também não pode ser usada.
Em Portugal e outros países, embora não falem publicamente sobre questões referentes ao ambiente castrense e outros assuntos de serviço, os militares se manifestam livremente sobre política e a questão salarial, que logicamente é assunto público. Lá os militares participam de manifestações, obviamente não fardados, e obtém com isso poder de pressão sobre o governo.

Alguns por aqui diriam que isso seria anti-democrático, esquerdismo, quebra de hierarquia …
Não seria o contrário? Nos governos de esquerda havia enormes restrições contra a liberdade de expressão. Havia militares políticos implantados em pontos estratégicos com o intuito de desestimular e denunciar discussões sobre o regime.
No momento em que militares de todos os postos e graduações são asfixiados por um governo de esquerda, que sanciona graduados que eventualmente reclamam ou ousam discutir a situação sofrida por seus familiares é que se percebe o quanto a liberdade de expressão é um bem democrático e inalienável.
Generais e parlamentares. Será que não aprendemos com a história?
Em 1910 os marinheiros se sentiam aviltados por ser espancados como animais. A chibata fora abolida em todos os países sérios. Alguns anos antes ocorreram outros levantes na Marinha, pouco mencionados pela história. Mas, ainda insistia-se em manter esse castigo no Brasil. Não se admitia ceder às repetidas solicitações da marujada.  Resultado: Revolta da CHIBATA.
Em 1963 sargentos pleiteavam direitos razoáveis, desejavam assumir cadeiras no legislativo, se eleitos. Foram punidos. Resultado: Revolta dos SAGENTOS de Brasília. Militares graduados foram acolhidos por ideólogos de esquerda.
Em 1964 marinheiros e fuzileiros pleiteavam direitos razoáveis, como se casar sem pedir permissão e se trajar a paisana em ambiente civil. Resultado REVOLTA DOS MARINHEIROS. Militares graduados foram acolhidos por ideólogos de esquerda.
2016… ?
Militares graduados não desejam um sindicato, direito a greve ou de falar sobre assuntos sigilosos. Mas, desejam sim possuir representantes e o direito de se MANIFESTAR publicamente sobre assuntos políticos. Estão cansados de ver suas esposas baterem panelas ou acampar em frente ao Palácio do Planalto.

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